Segunda Parte - que compreende os anos que discorrem desde meados do de 1537 até fim do de 1540 (I)

A carta de 15 de Dezembro de 1539, determinando que o prior do mosteiro de Santa Cruz passasse a ser cancelário da Universidade, inserta neste parágrafo, foi também publicada no vol. I, pp. 226-229, dos Documentos de D. João III, pelo Dr. M. Brandão, o qual julga possível que o respetivo texto tivesse sido deturpado por D. Nicolau de Santa Maria.

[ LXXIX ]                                                                                                                                             (§ 664)

Em 1936, publicou o Dr. J. Pinto Loureiro um documentado estudo — Novos subsídios para a biografia de Camões (Figueira da Foz, separata do vol. 89 de O Instituto)—, no qual examinou com erudição e lucidez crítica alguns problemas relativos a D. Bento de Camões.   

[ LXXX]                                                                                                                                               (§ 665)

SOBRE TOMÁS RODRIGUES DA VEIGA

Nos Documentos de D. João III, publicados pelo Dr. M. Brandão não se encontra, com efeito, o alvará de nomeação de Tomás Rodrigues da Veiga; cremos, no entanto, que o famoso lente iniciou o seu ensino nas escolas do mosteiro de Santa Cruz, em 1538, possivelmente em Abril ou Maio. Fundamenta o nosso juízo o facto de neste ano, em 25 de Abril, D. João III haver publicado um alvará pelo qual se equiparavam a 60 000 réis os salários das duas cátedras de medicina, que até então tinham vencimento diverso: uma 70 000 réis, outra 50 000 réis, sendo esta a que lia Henrique Cuelhar, determinação que foi modificada em 28 de Agosto de 1540, pelo aumento de dez mil réis no salário de mestre Cuelhar( vid. anotação ao § 689). Neste alvará se declara que Henrique Cuelhar era então o único lente de medicina nos referidos colégios, e se autoriza Fr. Brás de Braga a «buscar e éleger o outro leitor para a outra cathedra»; o encadeamento destes factos justifica, a nosso ver, a hipótese de que a equiparação dos salários se fez para evitar suscetibilidades entre os dois catedráticos, e que, usando da autorização régia, Fr. Brás de Braga nomeou Tomás Rodrigues da Veiga, cuja nomeação não carecia de expresso diploma real (vid. M. Brandão, Documentos..., cit, vol. I, p. 88).

[ LXXXI ]                                                                                                                                               (§ 666)

Leitão Ferreira não chegou a ocupar-se na Segunda parte das Noticias Chronologicas de Rui Lopes da Veiga; porém, no Alphabeto dos Lentes da insigne Universidade de Coimbra, Coimbra, 1937, pp. 143-144, indicou os tópicos capitais da sua biografia universitária, iniciada em 3 de Dezembro de 1569, com a nomeação de lente de Instituta.     

[ LXXXII ]                                                                                                                                             (§ 667)

SOBRE DIOGO DE GOUVEIA, DE COIMBRA

Veja-se supra a anotação ao § 8. No vol. III desta Noticias, em anotação própria, será feita a descriminação dos homónimos de Diogo de Gouveia; não obstante cumpre precisar e retificar desde já alguns informes que Leitão Ferreira dá neste parágrafo. Assim:

a) Foi a Diogo de Gouveia, júnior, e não a este Diogo de Gouveia, de Coimbra, que D. João III concedeu a mercê de seu capelão (vid. Mário Brandão, O Colégio das Artes, vol. 1, p. 384).

b) Leitão Ferreira aponta o ano de 1539 como início do magistério de Artes de Diogo de Gouveia, pois «não consta se as tinha lido nos dous antecedentes de 1537 e 1538», e o Dr. Mário Brandão afirma, no vol. I do Colégio das Artes, p. 386, que «começou a ler um curso em 1536, antes mesmo da transferência da Universidade, tendo logo de 1539 a 1543 regentado outro curso»; em face, porém, dos documentos publicados pelo Prof. Dr. Virgílio Correira em O Livro da Receita e Despeza de Santa Cruz de 1534-1535 (em Arte e Arqueologia. Revista do Conselho de Arte e Arqueologia da 2.a Circunscrição, Coimbra, 1932, pp. 112-113), Diogo de Gouveia ensinava já em 1535, como prova o seguinte lançamento: «... pagamos o Diogo de Gouvea no dito dia [1 de Maio de 1535], mestre el ensina Gramatica, hu mjil reaes ê comeco de pago de seu ordenado... ».

Desta referência e do seu confronto com o documento sem data que o Dr. Mário Brandão publicou em Alguns documentos respeitantes à Universidade de Coimbra na época de D. João III, Coimbra, 1937, pp. 160-161, sob o título Relação dos lentes de Artes e Gramática nos Colégios de Santa Cruz, parece resultar que Diogo de Gouveia começou em 1535 por ensinar Gramática, transitando mais tarde, em Fevereiro de 1545 (v. infra, d), para o ensino das Artes, porventura da filosofia, na Universidade.

c) O Dr. Mário Brandão, no citado vol. I do Colégio das Artes, p. 386, estabelece a data de 14 de Abril de 1540 para o exame de licenciatura em Artes, e não 17, como faz Leitão Ferreira.

d) A mudança efetuou-se em 1544, sendo reitor da Universidade Fr. Diogo de Murça.


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